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Leitura: O despertar das sombras - Capítulo 16

  • 11 de nov. de 2016
  • 6 min de leitura

A teoria de tudo

Autor: Gabriel Augusto


Publicação: Outubro de 2015


Tema central: Vampiros, família, amor e suspense


Páginas: 117


Capítulo 16


Passaram-se dois dias passou. E a procura de Seth não sessava.

Meu pai e os outros professores revezavam na busca, noite e dia.

Da floresta para cidade eles percorriam toda a mata reviravam cada pedra, cada cantinho, cada loja até não sobrar mais lugar para revistar. Sra. Barban não parava de procurar o paradeiro de Seth, ela ficava de mal humor o tempo todo.

- Para quem conhece o Sr. Seth Gremory. Sinto em informa, mas ele é um desertor uma maça podre em nossa árvore. Ele enganou e roubou. – Ela anunciou no anfiteatro. – Se alguém o ver, relatem a mim ou a qualquer professor. Estão dispensados. – Finalizou.

Eu não conversava com ninguém, dispensei Polly e Can quando vieram falar comigo.

- Alex amigo. Eu e Polly estamos preocupados com você. – Disse Can do outro lado da porta.

- Vão embora. – Pedi.

- Vamos Alex, faz dois dias que você não saiu desse quarto.

- Não enche Polly. Me deixem em paz. – Ordenei.

E os passos se afastaram da porta.

- Era realmente necessário isso? – Luci penteava o cabelo na sua penteadeira em estilo medieval.

- Cala boca. Ou vou tirar você daqui também.

Luci me olhou com piedade e continuou a arrumar a seu topete.

Com a tristeza e ódio acumulados, sentia fome cada vez mais. Preenchia meu vazio com sangue de animais silvestres e me tranquilizava treinando na floresta com Eric.

- Você está ficando bom. – Ignorei seu elogio.

Continuei a dar golpes no pinheiro. Chutes, socos e saltos. No outro dia acabei aprendendo a controlar as ondas sonoras que sai do meu grito.

Queria achar Seth e para isso, precisava ficar forte o suficiente.

- Foque sua energia e bata no centro do pinheiro.

Respirei fundo e golpeei com toda força canalizada no meu punho em um murro duro e pesado.

O majestoso e imenso pinheiro se partiu caindo no chão agitando as aves que estavam em cima dela.

- Incrível. – Outro elogio que não me importava.

- Sr. Shener. – Sra. Barban apareceu do nada. – Vejo que está treinando. Queria lhe perguntar algo.

- O que foi?

- Senhor imagina onde é o esconderijo do Sr. Gremory? – Ela arrumou uma de suas mechas de cabelo colocando por de trás da orelha.

- Eu deveria saber onde aquele traíra guardava suas coisas? – Ficava com raiva só de pensar que Seth escondia tudo de mim.

- É uma lastima. – Ela virou-se para ir embora.

É um ótimo lugar para se esconder

- Espere. Acho que eu tenho um palpite. – Lembrei do que ele falou, quando fomos a casinha de madeira conversar.

Ela ergueu sua sobrancelha.

- O que estamos esperando. Mostre o caminho.

Caminhei até a parte de trás da escola e andei mais um pouco entre os arbustos. E lá estava ela. Em seu sossego, a casinha de madeira onde eu mordi Seth pela segunda vez.

- Chegamos. – Apontei.

- Então vocês encontraram a casinha do zelador. – Os olhos de Sra. Barban brilhava. – Que interessante. Sr. Freimen procure cada pedaço dessa casa odiosa e quando terminar destrua.

- Pode deixar Sra. Barban.

Eric vasculhou toda a casa, madeira por madeira, viga por viga.

- Quer ir ajuda-lo Sr. Shener? Sinta-se à vontade.

Fui por de trás da casa e apresei-me em achar alguma coisa que estivesse fora do lugar.

Terra remexida.

Como se fosse um túmulo feito recentemente.

- Hey. – Gritei. – Tem alguma coisa aqui.

Sra. Barban chegou primeiro e Eric em seguida.

- Que diabos é isso? – Sra. Barban estava mais chocada que eu e Eric. – Cave Sr. Freimen.

Sem ajuda de pá. Eric ajoelhou-se perto da cova e começou a cavar com as próprias mãos.

Um corpo começou a aparecer...

Pernas, braços e finalmente um crânio.

- O Meu Deus é Bento Buze. – Fiquei horrorizado quando vi seu corpo todo mutilado.

- Obra do Caçador da Espada Negra, vou chamar os outros. – Sra. Barban correu entre a mata em direção a escola.

- O que o seu namorado fez Alex?

Quando eu não podia ficar mais surpreso, encontro um corpo dilacerado em uma cova... um corpo, que Seth tinha matado.


- Pensei que Bento Buze tinha fugido. – Disse minha mãe.

- Todos pensávamos. – Protestou meu pai.

A chuva já estava caindo de novo essa hora, deixando o chão todo enlameado.

- Vamos procurar ele de novo. – Especulou Sra. Barban. – Dessa vez todos irão, inclusive o pequeno Sr. Shener.

- Ele é uma criança. – Disse minha mãe se colocando na minha frente.

- Ele não foi criança quando quase transformou um dos nossos inimigos em vampiros e muito menos foi criança quando contou nosso segredo para ele... agora cabe a ele enfrentar as consequências que vieram de suas inúmeras atitudes.

- Eu vou. – Disse enfim. – E eu mesmo vou matar Seth. – Estava decidido.

Tudo o que Seth fez para mim e iria fazer para minha família, não era justo. Irei fazer ele pagar por tudo... Ele irá pagar por essa traição.

- Gosto assim, Sr. Shener.

- Você não está pensando direito. – Minha mãe insistiu. – Se você o matar, finalmente se transformara.

- E porque eu não iria querer isso? – Retruquei.

- Sra. Shener, ele já tomou sua decisão, portanto vamos achar o desertor e sua matilha. – Suas presas apareceram, deixando seu rosto animalesco. – E o único lugar que ainda não procuramos foi perto do rio.

Minha mãe abaixou a cabeça sem dizer mais uma palavra e meu pai colocou a mão em seu ombro confortando-a.

- Precisamos de armas. – Sugeriu a professora Bell.

- Sim Isis, vamos buscar armas. – Meu pai disse. – Não seria uma luta justa se não pegássemos armas.

- Então vamos.

Depois de enterrar Buze adequadamente, fomos para o apartamento da Sra. Barban e pegamos em seu deposito diversas armas. Bestas, adagas, armas de fogo, espadas, mangual e até mesmo foice. Tudo se encontrava disposto em um mural de terror.

Cada um pegou a sua. Duas adagas me chamaram atenção, um sobrepondo a outra, eles eram banhados em uma luz reluzente azul com desenhos de espinhos cravada em seu tsuka. Peguei ela de seu pedestal e manuseie-a.

- Boa escolha. – A voz de Eric me tirou dos meus devaneios. – Ela é tão antiga quanto os vampiros e ágil e maleável como nenhuma arma já fabricada.

- Bom saber. – Não tirei meus olhos da arma.


Assim que iniciamos a perseguição notei que eu não conhecia meus pais, tão bem assim.

Eles se moviam com agilidade e segurança, apesar da chuva e o barro em nossos pés, não os impediam de marchar em busca do nosso objetivo. Era pavoroso saber que meus pais, aqueles com quem passavam tempo comigo brincando no balanço do parque, aqueles que contavam historinhas para dormir, que me abraçava quando os trovões rosnavam no céu. São os mesmo que tem a capacidade de matar e machucar alguém.

- Por aqui. – O sotaque britânico do professor de álgebra Sr. Harold ecoavam junto com os raios que caiam. – Ele passou por aqui.

Ele tinha razão galhos quebrados ainda frescos, mostrava que Seth tinha corrido por aqui, ainda hoje.

Eu te Amo Alex.

Foi a última coisa que ele disse. Queria que fosse verdade.

Um raio acendeu na noite escura, tornando o céu um véu branco por frações de segundos.

O rio.

- Aquela peste sabia uma rota de fuga. – Praguejou Sra. Barban. – Ele sabia por onde fugir.

A lama estava densa e profunda, me forçando a me apoiar nos braços de Eric.

- Tudo bem? – Perguntou ele.

- Está, só não estou acostumado com essa lama toda. – Ele sorriu.

- Veja... – Meu pai falou, mas foi interrompido por um trovão ensurdecedor.

Olhei para onde ele estava apontando. Pegadas. Pegadas quase se desfazendo, certeza que era de Seth.

Ele poderia ter alguns dos nossos poderes, mas não todos, além do mais ele não tinha nossas habilidades. Iriamos encontra-lo.

Ele mentiu para mim todo esse tempo. E eu acreditei nele... eu o tolo romântico, que faria tudo por amor.

Pois bem, esse garoto não existe mais e eu vou mostrar para Seth o que sua traição fez comigo.

Corremos na margem do rio o mais rápido possível para as pegadas não sumirem de vez.

Esperto. Ele sabe que uma das fraquezas dos vampiros é a água corrente.

Fomos em frente. Passei os professores, Eric e até a Sra. Barban que estava um passo à frente dos outros. Todos com dificuldade de atravessar a ponte, porque o rio límpido e negro estava abaixo deles.

- Pare aí! Vamos todos juntos Sr. Shener. – Mandou Sra. Barban.

- Eu vou acha-lo antes que seja tarde demais, já faz dois dias que estamos procurando. – Falei. – Ele pode ter ido embora.

Pareciam um grupo de zombies andando devagar sobre a passarela de madeira.

- Espere Alexander! Não vá sozinho – Pediu meu pai. – É perigoso.

Sem ligar para o que eles falavam, corri para longe deles. Minhas pernas estavam cansadas, minha garganta ardendo de sede, meu coração disparado a cada momento que chegava perto de Seth.

Minhas forças não podiam se esgotar, não agora.

Continuei a correr.

Em toda minha vida, sempre contei com ajuda de alguém para resolver os meus problemas, para achar soluções as minhas crises. Mas dessa vez estava por conta própria, ninguém podia me ajudar naquele momento, a não ser eu mesmo.

Depois que atravessei o rio. Não foi difícil imaginar onde Seth estava. Era óbvio que depois de dois dias se recuperando dos ataques que sofreu dos meus pais, Seth iria para rodoviária de Seedwood. Não tinha tempo a perder era para lá que iria.


Acompanhe o livro:


Capítulo 02

Capítulo 03

Capítulo 04

Capítulo 05

Capítulo 06

Capítulo 07

Capítulo 08

Capítulo 09

Capítulo 10

Capítulo 11

Capítulo 12

Capítulo 13

Capítulo 14

Capítulo 15

Capítulo 16

Capítulo 17

Capítulo 18

Capítulo 19

Capítulo 20

Epílogo

Anexos

Origem dos personagens

Baixe o texto em pdf: clique aqui.

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